O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, indeferiu neste sábado o pedido da defesa de Jair Bolsonaro para autorizar a visita do presidente argentino Javier Milei à residência onde o ex‑presidente cumpre prisão domiciliar. A visita estava prevista para 25 de julho, data na qual Milei já tem compromissos no país e havia indicado que também compareceria a atos ligados à pré‑candidatura de Flávio Bolsonaro pelo PL.
Na decisão, Moraes apontou que o réu está sujeito a restrições cautelares em vigor e que, em decisão anterior, havia proibido expressamente visitas com caráter político‑eleitoral — medida que já havia sido aplicada a dirigentes do PL. O ministro também determinou suspensão temporária das visitas em geral por 30 dias, permitindo apenas acesso de advogados, médicos e fisioterapeutas.
O desfecho é consequência, em parte, do episódio em que Flávio Bolsonaro divulgou nas redes sociais uma carta manuscrita do pai, publicada em 11 de julho, que manifestava apoio político à sua candidatura. Moraes e a Procuradoria‑Geral da República rejeitaram a versão da defesa de que Bolsonaro ignorava a divulgação do texto, ressaltando que o conteúdo dirigido “aos brasileiros” indicava intenção de ampla divulgação e configurou descumprimento das restrições.
Além do efeito imediato de impedir um encontro simbólico entre aliados internacionais, a decisão reforça o entendimento de que o Judiciário atuará para bloquear tentativas de transformar a condição de prisão domiciliar em plataforma eleitoral. Para o entorno de Bolsonaro, a determinação complica alternativas de comunicação e mobilização que dependam de contatos presenciais; para Milei, fecha uma possibilidade de visibilidade junto a apoiadores do ex‑presidente. O caso segue como indicador da tensão entre limites judiciais e estratégias políticas na aproximação de 2026.