O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a cassação da aposentadoria de Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na gestão de Jair Bolsonaro. A decisão foi publicada nesta sexta-feira (21/8) e atinge um servidor já afastado do cargo após condenação criminal.

Silvinei foi condenado a mais de 24 anos de prisão por participação na organização da trama que culminou nos atos de vandalismo de 8 de janeiro de 2023. No processo, o STF acolheu denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) segundo a qual o então diretor integrou o núcleo que utilizou a estrutura da PRF, durante o segundo turno de 2022, para direcionar operações rodoviárias — como blitzes em estradas federais do Nordeste — com o objetivo de dificultar o transporte de eleitores.

Durante o andamento do caso, Silvinei chegou a cumprir medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica; em dezembro do ano passado, rompeu o monitoramento eletrônico para viajar ao Paraguai, segundo os autos. A perda do cargo público já havia ocorrido anteriormente, e agora a cassação da aposentadoria impede que ele retire benefícios vinculados à sua passagem pela corporação.

Politicamente, a decisão reforça o sinal de responsabilização por atos que misturam aparato estatal e disputa eleitoral, e acende alerta sobre a politização de órgãos de segurança. Para o bolsonarismo e seus aliados, o episódio amplia desgaste e levanta custos políticos e institucionais: além de prejuízo à imagem da PRF, a medida alimenta debates sobre controle e transparência em carreiras públicas e sobre as respostas do Judiciário a violações decorrentes do uso indevido de estruturas estatais.