O ministro Alexandre de Moraes deixou a sede do Supremo Tribunal Federal na noite de quarta-feira (2/9) ao final da sessão do plenário acompanhado por quatro colegas — Flávio Dino, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Luiz Fux — e rodeado por um contingente de segurança maior do que o habitual. A cena ocorreu no primeiro encontro presencial entre Moraes e André Mendonça desde a divulgação de um relatório da Polícia Federal que reproduz diálogos do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, nos quais o ministro é citado.
Durante a sessão, Moraes e Mendonça se sentaram lado a lado, mas evitaram contato visual. Ao fim do julgamento, Mendonça deixou o prédio anexo sozinho, cumprimentando servidores e advogados; Moraes saiu escoltado. Nos bastidores chegou a ser cogitada a participação virtual do ministro, mas ele compareceu presencialmente minutos antes do início. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também esteve no plenário e é citado nas mensagens interceptadas.
O presidente do STF, Edson Fachin, optou por não fazer o discurso de abertura que costuma marcar momentos de crise, embora em nota pela manhã tenha reconhecido a gravidade da situação e afirmado que tomará medidas nos próximos dias. Na prática, a Presidência direcionou a sessão para itens em fase de sustentação oral — como um recurso sobre pagamento de ITBI por empresas — evitando que o plenário se transformasse em palco de manifestações sobre o episódio.
O quadro desenhado pela saída de Moraes e pelo ritual contido da sessão acende alerta sobre desgaste institucional. O reforço de segurança e o evitamento público entre ministros dificultam a narrativa de normalidade que a Corte busca preservar e ampliam perguntas sobre o custo político do caso para a imagem do Supremo. Nas próximas etapas, a Corte precisará conciliar a condução técnica do trabalho jurisdicional com medidas de transparência que respondam às preocupações públicas sem transformar cada sessão em um foco de tensão política.