O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a prisão preventiva e o afastamento de funções públicas do deputado estadual Thiago Rangel (Avante-RJ) e de seis outros investigados por suposto esquema de corrupção que teria desviado recursos da Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) e da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A decisão autorizou buscas em 21 endereços e tem como base indícios levantados pela Polícia Federal sobre atuação organizada e risco de reiteração delitiva.
A investigação da PF aponta que Rangel integrava um grupo atribuído ao ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), responsável por direcionar obras e repasses a favor de empresas ligadas ao esquema. Entre os sinais de irregularidade estão um salto nos repasses às Associações de Apoio à Escola — de cerca de R$ 60 milhões anuais até 2018 para R$ 630 milhões em 2024, com previsão de R$ 500 milhões para 2025 — além do uso de empresas de fachada e indícios de superfaturamento em contratos de reforma.
O relatório cita casos específicos, como a empresa Flademma, criada em outubro de 2023 e escolhida para ao menos nove processos de reforma que somaram R$ 7,7 milhões, e a Atec, ligada ao filho de uma subsecretária, que recebeu R$ 11,4 milhões. Uma planilha encontrada no computador de Bacellar — “PEDIDOS EM 12-04-23.xlsx” — detalhava distribuição de cargos públicos e benefícios a deputados, incluindo vagas na Alerj e postos em órgãos como Ipem e Detran para Thiago Rangel.
Além do aspecto criminal, a decisão de Moraes expõe um problema institucional: a suposta usurpação de prerrogativas do Executivo pela Alerj e o controle sobre nomeações em secretarias-chave. O caso acende alerta para a governabilidade estadual, amplia o desgaste político de líderes envolvidos e impõe pressão por transparência e responsabilização. Resta ao Judiciário e à PF aprofundar provas e ao sistema político reagir sem postergar apurações.