O ministro do Supremo Alexandre de Moraes determinou o envio de cópias de sua decisão e de vídeos à Procuradoria‑Geral Eleitoral para que a PGE investigue se houve propaganda eleitoral antecipada por parte do senador Flávio Bolsonaro. A medida foi motivada pela divulgação, nas redes do parlamentar, de uma carta escrita por Jair Bolsonaro em que o ex‑presidente apresenta o filho como "pré‑candidato" e o qualifica como sua "melhor opção" e "porta‑voz".
Além do encaminhamento à PGE, Moraes ampliou as restrições: suspendeu por 90 dias as visitas de Flávio ao pai, apontando desvio de finalidade no exercício do direito de visita. O ministro considerou que a divulgação do documento contrariou medida cautelar vigente, que proíbe Jair Bolsonaro de utilizar redes sociais direta ou indiretamente — ordem fixada em março e mantida em julho.
Moraes registrou que a ação pode configurar desrespeito doloso à determinação judicial e observou que expressões com carga semântica equivalente a pedido de voto podem configurar crime eleitoral. O magistrado deu 48 horas para que a defesa esclareça se o ex‑presidente sabia, de forma plena, que a carta seria divulgada nas redes.
Politicamente, o encaminhamento à PGE amplia o risco para a pré‑candidatura de Flávio: além do custo jurídico, a investigação reforça narrativa de reincidência e complica a estratégia eleitoral do núcleo bolsonarista. Trata‑se de mais um episódio que mistura disputa eleitoral e ordens judiciais, com potencial para ampliar desgaste e exigir reação calculada dos envolvidos.