O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que o ex‑presidente Jair Bolsonaro apresente explicações sobre uma arma de fogo registrada em seu nome que foi apreendida com um servidor do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) durante uma blitz da Polícia Militar no Pistão Norte, em Taguatinga (DF). O episódio expõe nova disputa sobre cumprimento de medidas cautelares impostas ao condenado.

Segundo o registro policial, o agente Estácio Leite da Silva conduzia veículo oficial quando os militares encontraram a pistola no assoalho. O motorista teria informado que atuava no GSI e que a arma pertencia a Bolsonaro, retirada da residência do ex‑presidente para manutenção. Após a checagem, a PM confirmou tratar‑se de servidor e de veículo oficial da Presidência, segundo o auto.

Na decisão, Moraes também requisitou manifestação imediata da defesa de Bolsonaro e cobrou esclarecimentos do comandante do 19º Batalhão da Polícia Militar sobre a fiscalização de veículos que entram e saem da casa onde o ex‑presidente cumpre prisão domiciliar — obrigação determinada pelo próprio STF e delegada ao batalhão local. O magistrado citou o registro de carregador sobressalente no local.

Além do aspecto jurídico, o caso tem dimensão política e institucional: a apreensão de arma registrada em nome do ex‑presidente em poder de servidor da segurança pessoal levanta questões sobre os protocolos do GSI, a cadeia de custódia do armamento e a eficácia da fiscalização. O episódio acende alerta sobre risco de desgaste adicional para Bolsonaro e amplia o escrutínio sobre a gestão das medidas cautelares.