O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes informou, nesta terça-feira (28/7), que o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou de comparecer à oitiva agendada na Polícia Federal no inquérito que apura denúncia de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O caso segue em apuração no âmbito da Suprema Corte.

A autoridade judicial havia autorizado a possibilidade de prestar depoimento por videoconferência, mas a defesa do parlamentar optou por apresentar justificativas por escrito. Diante da ausência física — e da entrega de peças escritas — Moraes encaminhou ao Ministério Público Federal pedido formal para que a Procuradoria-Geral da República se manifeste sobre os próximos passos do procedimento.

Além do aspecto processual, a falta do presidenciável tem efeito político imediato: fragiliza a imagem de cooperação com a Justiça e deixa a iniciativa nas mãos do Judiciário e da PGR. Em termos práticos, a manifestação do órgão ministerial deverá orientar se serão adotadas medidas complementares para garantir a oitiva ou se o conteúdo escrito será considerado suficiente para a instrução do inquérito.

O episódio insere-se no ambiente de tensão entre atores políticos e instâncias judiciais às vésperas do calendário eleitoral. Para Flávio Bolsonaro, a postura de não comparecer presencialmente pode virar munição para adversários e exigir ajustes de estratégia; para a investigação, a decisão da PGR será decisiva para definir ritmo e desdobramentos do caso.