O ministro Alexandre de Moraes publicou despacho que limita as visitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro durante sua prisão domiciliar: apenas advogados, médicos e fisioterapeutas estão autorizados a comparecer à residência. A decisão, tomada após parecer da Procuradoria-Geral da República, também proíbe qualquer visita com objetivo político-eleitoral até o fim do pleito em outubro, o que inviabiliza pedido da defesa para que o presidente argentino Javier Milei o visite.
A medida acompanha manifestação da PGR, que manteve a avaliação de que o regime domiciliar deve ser preservado como humanização, mas que atos capazes de veicular interferência no processo eleitoral exigem controle. No entendimento do Ministério Público, a 'Carta aos Brasileiros' — entregue a Flávio Bolsonaro e divulgada em seguida — teve caráter eleitoral e violou liminares em vigor, motivo que justificou a suspensão temporária de visitas do filho por 90 dias.
Além das restrições às visitas, Moraes marcou o depoimento de Flávio Bolsonaro pela Polícia Federal para o dia 28, às 14h, após a defesa não apresentar datas compatíveis. A PGR sinalizou que uma retratação poderia encerrar parte das investigações, mas, até a oitiva, a decisão do ministro já acende alerta sobre o controle judicial de contatos que possam influenciar a disputa eleitoral.
O episódio tem implicações políticas claras: limita a capacidade de Bolsonaro e de sua rede de transformar o regime domiciliar em palanque, complica tentativas de exposição pública e coloca pressão sobre a estratégia de campanha do entorno. Institucionalmente, reforça o papel do STF e da PGR em agir preventivamente quando identificam risco de contaminação do processo eleitoral, sem, contudo, retirar do debate a tensão entre medidas cautelares e liberdades individuais.