O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta semana que o governo brasileiro adote as providências necessárias para a extradição imediata de Carla Zambelli, presa na Itália desde 2025. A decisão segue o deferimento, pela Justiça de Roma em 14 de maio, das garantias oferecidas pelo Estado brasileiro sobre as condições de custódia da condenada. Com o despacho, Moraes formaliza o encaminhamento à Coordenação‑Geral de Extradição do Ministério da Justiça e ao Itamaraty para que o retorno ao país seja efetivado.
Zambelli foi condenada por unanimidade pela Primeira Turma do STF a pena final de 10 anos de reclusão, em regime inicialmente fechado, além de pagamento de dias‑multa. A sentença resultou da soma de condenações por invasão de dispositivo informático — 13 ocorrências — e falsidade ideológica — 16 ocorrências — com as penas correspondentes. O processo atingiu trânsito em julgado em 6 de junho de 2025, quando o Supremo rejeitou embargos considerados protelatórios. Após a certificação do trânsito em julgado e a constatação de sua saída para a Itália, foi formalizado o pedido de extradição.
A captura de Zambelli foi cumprida em 29 de julho de 2025 pelo Escritório Central Nacional da Interpol, em Roma. Durante o trâmite italiano, as autoridades solicitaram, em 4 de dezembro, esclarecimentos sobre a diferenciação entre estabelecimentos para presos condenados e provisórios, a localização prisional prevista e garantias sobre segurança interna e proteção contra intimidação por grupos de presos. Esses esclarecimentos foram traduzidos e encaminhados pelo STF ao Ministério da Justiça em 11 de dezembro; com o aval de Roma em maio de 2026, o processo entrou na fase executória.
Além do efeito processual imediato — trazer ao cumprimento uma condenação transitada em julgado — a determinação de Moraes tem repercussão política. Zambelli, figura conhecida do bolsonarismo, transforma o caso em questão de alta visibilidade para o governo: a execução da extradição exige coordenação diplomática e operacional e pode ampliar desgaste para a base política ligada à condenada. Há também um componente institucional: o pedido italiano, ao exigir garantias, expõe preocupação com condições de custódia, o que obriga o Brasil a demonstrar conformidade com padrões prisionais. Em resumo, trata‑se de um desfecho judicial que passa a testar capacidade do Executivo em cumprir ordens judiciais no plano internacional, com reflexos políticos e simbólicos.