O ministro Alexandre de Moraes, do STF, marcou para 28 de julho, às 14h, a oitiva do senador Flávio Bolsonaro pela Polícia Federal no inquérito que investiga se o parlamentar cometeu crime de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A iniciativa atende pedido da Procuradoria-Geral da República, que considerou essencial ouvir o investigado — sobretudo pela possibilidade de retratação.
Segundo o relatório da Polícia Federal, a postagem de Flávio, publicada em janeiro, vinculou Lula a crimes como tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro e mencionou uma suposta delação do venezuelano Nicolás Maduro — afirmação que a PF registrou como inverídica. A corporação chegou a encerrar a apuração internamente apontando indícios de prática criminosa, e a PGR entendeu que uma retratação pública poderia pôr fim ao caso.
Moraes justificou a fixação da data após não receber das defesas uma proposta concreta de agendamento em prazo razoável; os advogados haviam pedido apenas renovação de prazo e novas opções, sem comprovar impedimento. O depoimento, portanto, assume papel decisivo: além do desfecho jurídico, tende a produzir efeito político imediato sobre a narrativa do senador e sobre o debate público em torno de acusações feitas em redes sociais.
Após a oitiva, a PGR requererá o retorno dos autos à Polícia Federal para elaboração do relatório final e posterior manifestação do Ministério Público. O episódio sublinha o caminho pelo qual alegações lançadas em plataformas digitais podem resultar em responsabilização formal — e coloca o senador diante da alternativa entre retratar-se e enfrentar a continuidade do procedimento.