A defesa do ministro Alexandre de Moraes apresentou ao Supremo Tribunal Federal pedido de nulidade e arquivamento da investigação conduzida pelo ministro André Mendonça no chamado caso da Operação Compliance Zero. O documento foi protocolado horas antes da sessão do plenário marcada para analisar se haverá inquérito sobre suposta ligação de Moraes com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
No texto enviado à presidência do tribunal, a defesa sustenta que a apuração foi instaurada sem competência, sem autorização do Plenário e com viés político. Argumenta-se que o relator procedeu de forma irregular ao não levar ao colegiado petições relevantes e ao escolher um momento político sensível — nas vésperas dos atos de 7 de setembro — para produzir atos que, segundo a defesa, visam criar fatos políticos contra o ministro.
Além do argumento processual, a manifestação ataca a peça técnica produzida pela Polícia Federal, classificada como inexistente em termos periciais e com problemas nos metadados que indicariam elaboração acelerada com participação externa. Há ainda acusação de quebra na cadeia de custódia das provas. A defesa afirma que não existem mensagens de Moraes nos autos, que ele não tomou decisões envolvendo o Banco Master e que os serviços prestados pelo escritório ligado à esposa foram consultorias declaradas.
Politicamente, a movimentação amplia o confronto entre ministros e coloca o Plenário diante de um teste institucional: decidir sobre a competência para investigar colegas e sobre a validade de relatório policial contestado. Se acolhidos, os argumentos da defesa podem levar ao arquivamento pretendido; se rejeitados, devem intensificar o desgaste entre alas do tribunal. Moraes qualifica o caso como farsa de caráter político e defende que o STF resistirá a pressões, mas a definição ficará a cargo dos ministros na sessão.