O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a Polícia Federal tome o depoimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no prazo máximo de 10 dias. A decisão acolheu parecer da Procuradoria-Geral da República em investigação sobre suposta calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vinculada a publicação feita em 3 de janeiro na rede X.

A postagem questionada exibiu imagem do ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ao lado de notícia sobre uma reunião de emergência do governo brasileiro. Na mesma publicação, Flávio afirmou que “Lula será delatado” e listou acusações como tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e suporte a ditaduras — alegações que formam o núcleo da apuração.

O relatório final da Polícia Federal, protocolado no caso, concluiu haver materialidade e indícios claros de autoria. Para os investigadores, o termo “delatado” apontou referência direta ao instituto da colaboração premiada e configurou imputação de crimes graves e específicos ao presidente, entre eles tráfico de drogas, tráfico de armas e lavagem de dinheiro.

A defesa do senador pediu diligências que foram rejeitadas pelo ministro. Moraes também determinou que o depoimento observe as prerrogativas do artigo 221 do Código de Processo Penal, que permitem a autoridades como senadores ajustar local e data para prestar esclarecimentos. A PGR havia se manifestado pela necessidade de ouvir o investigado.

Além do efeito jurídico, a decisão tem reflexo político: acende alerta para a pré-campanha do PL e amplia o debate sobre os limites do discurso nas redes sociais e a resposta institucional a acusações públicas contra o chefe do Executivo. O desfecho do procedimento pode influenciar a agenda política nos próximos meses.