O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta segunda-feira que o senador Flávio Bolsonaro entregue seus passaportes à Polícia Federal e fica proibido de deixar o país. A decisão está em segredo de justiça e foi divulgada publicamente pelo próprio parlamentar em suas redes sociais, que afirmou ter sido intimado pela PF ao sair da casa de seu pai.

A ordem faz parte do mesmo inquérito em que Flávio e o advogado Willer Tomaz são investigados no STF. Moraes já havia determinado, na semana passada, o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens ligados a Willer. Em apurações preliminares da Polícia Federal, consta que o senador teria sido beneficiário de recursos da Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, também alvo de investigação.

Flávio Bolsonaro contestou a medida e informou que ela estaria associada a uma fala do irmão Eduardo, que defendeu em público que o senador deixasse o país caso perdesse a eleição. Eduardo Bolsonaro, que está nos EUA apesar de haver um mandado de prisão em aberto contra ele, foi condenado a quatro anos de prisão por articular sanções contra autoridades brasileiras — informação mencionada no material-base. A restrição de viagem chega num momento sensível, depois da derrota eleitoral e das tentativas de contestação do resultado.

Além do efeito prático sobre a mobilidade do parlamentar, a decisão — tomada sob segredo de justiça e comunicada pelo investigado — tem impacto político imediato: complica a narrativa de vitimização da família, amplia desgaste político e levanta dúvidas sobre os fundamentos e as consequências institucionais da medida. Autoridades e defesa terão agora que explicitar o alcance jurídico da proibição e seus efeitos na estratégia de contestação pós-eleitoral.