O ministro do STF Alexandre de Moraes converteu, neste sábado (11/7), a prisão em flagrante do ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado Márcio Canella e do policial militar Antônio Gomes da Silva Neto em medidas cautelares. Ambos foram detidos na terça-feira (7/6) na sexta fase da Operação Unha e Carne, que apura esquema de lavagem de dinheiro estimado em R$ 7,6 bilhões no Rio de Janeiro. Canella foi localizado portando um fuzil no momento da detenção.
Na decisão, Moraes impôs uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar no período noturno e nos fins de semana, comparecimentos semanais à Justiça, entrega de passaportes e proibição de deixar o país. O ministro também suspendeu o porte de arma e registros CAC, e exigiu que a Polícia Militar informe, em até cinco dias, a situação funcional dos policiais envolvidos e a origem das armas apreendidas.
Ao fundamentar a medida, Moraes entendeu que as restrições são suficientes para garantir a ordem pública, a aplicação da lei penal e o regular andamento das investigações, advertindo para a possibilidade de prisão preventiva em caso de descumprimento. A substituição da prisão por cautelares reduz o impacto imediato sobre os investigados, mas mantém mecanismos de controle e fiscalização.
Politicamente, o caso expõe risco e desconforto para a pré-candidatura de Canella pelo União Brasil. Sua trajetória — vereador em 2012, deputado estadual a partir de 2015 por três mandatos e vice-prefeito de Belford Roxo entre 2017 e 2019 — agora convive com restrições que podem limitar movimentação eleitoral e abrir espaço para questionamentos sobre o processo de seleção de candidatos. A exigência de esclarecimentos à PM também coloca sob escrutínio a origem das armas e a conduta institucional durante a operação.