O senador Sergio Moro criticou com firmeza a articulação do governo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado às vésperas da sabatina de Jorge Messias, indicado ao Supremo Tribunal Federal. Para Moro, a alteração na composição da comissão não é técnica, mas reflexo de uma preocupação do Palácio do Planalto com a aprovação do nome.
Moro afirmou ter sido surpreendido ao ser retirado da CCJ sem qualquer comunicação prévia. A vaga que dizia pertencer ao bloco do União Brasil foi ocupada pelo senador Renan Filho (MDB-AL). Embora reconheça que manobras são parte do jogo político, ele vê na mudança um sintoma de fragilidade da base governista.
A sabatina está marcada para quarta-feira, 29 de abril; a indicação de Messias ao STF foi formalizada em 1º de abril para substituir a vaga deixada por Luís Roberto Barroso, aposentado em outubro de 2025. Moro anunciou que votará contra a nomeação, alegando que o governo busca reduzir o alcance de questionamentos e evitar uma sessão mais incisiva da oposição.
A reconfiguração da CCJ acende alerta para o Planalto: além de indicar cautela quanto à tramitação do indicado, a movimentação amplia desgaste político e reforça a percepção de insegurança sobre a capacidade de aprovar nomes sensíveis. A disputa sinaliza também pressão adicional sobre aliados e a necessidade de ajuste na estratégia para enfrentar a crítica pública e parlamentar.