Morreu neste sábado (25/4) o advogado e ex-deputado federal José Frejat, aos 102 anos, em razão de uma pneumonia. Figura conhecida da luta pela retomada democrática do país, Frejat deixa filhos, entre eles o cantor e compositor Frejat, e era irmão do médico e ex-deputado Jofran Frejat, falecido em 2020.

Nascido em Curupuru (MA), Frejat construiu sua carreira no Rio de Janeiro, estudou no Colégio Pedro II e ingressou, em 1947, na Faculdade Nacional de Direito da UFRJ. Na década de 1950, participou da fundação do Movimento Nacionalista Brasileiro e dirigiu o jornal O Semanário, publicação que cessou circulação após o golpe de 1964, episódios que o colocaram entre os opositores do regime autoritário.

Filiação ao MDB no período militar e mandatos como vereador do Rio e deputado federal — eleito em 1978 e reeleito em 1982 — colocaram-no no centro da transição. Votou a favor da Emenda Dante de Oliveira, que defendia eleições diretas, e apoiou a escolha de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral de 1985, posições que consolidaram seu legado como político comprometido com a redemocratização. Ao longo da vida pública, transitou por legendas como PSB, PDT e PSDB e ocupou cargos como procurador da Fazenda Nacional.

A trajetória inclui tentativas frustradas de ascensão, como a disputa ao Senado em 1986 na chapa de Marcelo Alencar, sem sucesso. Frejat deixa uma biografia marcada pela articulação em momentos-chave da volta do país à democracia, e também pela adaptação a diferentes espectros partidários nas décadas que se seguiram. Seu falecimento representa o desaparecimento de uma geração de políticos que atuaram diretamente na abertura política.