O presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou nesta quinta-feira, em João Pessoa, que a Casa vai acelerar a tramitação da PEC 221/2019 — proposta que prevê o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho — e busca levar o texto ao plenário ainda em maio. Em sua primeira agenda externa como parte da comissão especial que debate o tema, Motta transformou a sessão na Assembleia Legislativa da Paraíba em palanque para sinalizar celeridade e blindagem do calendário contra interferências do período eleitoral.
Na avaliação do presidente, o debate sobre diminuir a jornada avançou politicamente e já tem ambiente favorável dentro da Câmara. Ele apresentou a mudança não apenas como ajuste econômico, mas como alteração estrutural na relação entre trabalho e vida pessoal — defendendo que mais tempo livre impacta família, saúde e educação — e ressaltou a escolha da via constitucional para oferecer segurança jurídica à proposta.
Motta procurou responder às reservas do setor produtivo ao admitir riscos de aumento de custos e possível impacto sobre vagas formais. O caminho apontado pelo presidente é o do diálogo: construir transição setorial, ouvir empregadores, trabalhadores e especialistas e evitar perda salarial. Ele também comparou o movimento a mudanças trabalhistas históricas, sublinhando que resistências não inviabilizaram avanços anteriores, e convocou as empresas a se sentarem à mesa em vez de apostar na obstrução.
Do ponto de vista político, a tentativa de acelerar a PEC impõe escolhas ao governo e ao Congresso: um rito rápido pode reduzir tempo para ajustes técnicos e ampliar pressão de setores contrários, enquanto a postergação arriscaria transformar a proposta em bandeira de campanha. A promessa de votação em maio acende um alerta sobre o grau de negociação que será concedido e sobre os custos políticos e econômicos de uma tramitação apressada — especialmente em segmentos sensíveis à elevação de custos e à dinâmica do emprego formal.