A expectativa de votação do projeto que criminaliza a misoginia sofreu novo revés na noite de 14/7. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), indicou que matérias consideradas «polêmicas» não deverão constar da pauta desta semana, mantendo a proposta fora do calendário antes do recesso parlamentar.
Motta justificou a decisão na necessidade de concentrar esforços em temas com maior consenso entre lideranças, evitando matérias que possam ampliar divergências às vésperas da pausa legislativa. A sinalização foi interpretada por integrantes da bancada feminina como adiamento explícito da discussão para o segundo semestre.
O projeto, aprovado por unanimidade no Senado em março, vinha sendo empurrado pela bancada feminina como prioridade. A relatora na Câmara, Tabata Amaral (PSB-SP), havia afirmado haver negociação com líderes para levar a proposta ao Plenário ainda esta semana, e apontou a disseminação de desinformação como principal entrave à aprovação.
O adiamento interrompe o momento de visibilidade do tema, que ganhou repercussão nacional após relatos públicos de humilhação e desrespeito, incluindo manifestações de Michelle Bolsonaro e da primeira-dama Janja Lula da Silva. Politicamente, a decisão expõe o limite da articulação da bancada e reduz o capital político disponível para aprovar mudanças sensíveis sem um novo esforço de costura.
Na prática, a Câmara deixa a pauta para o segundo semestre e transfere para o retorno dos trabalhos a necessidade de reconstruir consensos, combater narrativas enganosas e calibrar a estratégia partidária. Mais que um gesto de cautela, a postergação acende alerta sobre a capacidade da Casa de deliberar temas com impacto social elevado em janelas estreitas do calendário legislativo.