Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-RR), acompanharam a posse de José Guimarães como ministro da Secretaria de Relações Institucionais no Palácio do Planalto. Ex-líder do governo na Câmara, Guimarães assume a interlocução com deputados e senadores no lugar de Gleisi Hoffmann, que deixou a pasta para disputar as eleições.
A presença das duas lideranças do Congresso no ato sugere um esforço do Planalto para consolidar canais de negociação num momento de tensão sobre a agenda parlamentar. Na mesma semana, o governo confirmou que enviará um projeto de lei sobre o fim da escala 6x1 e pretende acelerar a tramitação por meio de urgência — um movimento que colide com a preferência que Guimarães manifestou por tratar o tema via PEC na CCJ. A diferença de caminho legislativo indica custo de conciliação entre reivindicações das categorias e a necessidade de costurar apoio no Congresso.
Guimarães declarou que abriu mão da disputa por mais um mandato de deputado e se colocou à disposição do governo. Essa opção transfere para ele a tarefa de articular aprovações sensíveis no calendário imediato: além da tramitação do PL sobre a jornada de trabalho, há a votação marcada para 29 de abril no Senado sobre a indicação de Jorge Messias para o STF. A proximidade entre essas pautas eleva a importância política da Secretaria de Relações Institucionais nas próximas semanas.
A nomeação funciona como tentativa de reduzir atritos e acelerar costuras, mas também expõe o desafio do governo: conciliar pressões setoriais com a urgência de aprovar nomeações e leis no Congresso sem abrir mão de promessas ou gerar desgaste político. A eficácia dessa estratégia será testada já na reta curta até a votação de Messias e na tramitação acelerada do PL da escala 6x1.