O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), relacionou nesta quarta-feira a proposta de reduzir a jornada de trabalho para 40 horas semanais à possibilidade de mulheres terem mais tempo para denunciar casos de violência de gênero. A fala ocorreu durante a cerimônia dos 100 anos do pacto entre os Poderes para combate ao feminicídio, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do presidente do STF, Edson Fachin. O presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre, foi registrado como ausente por compromissos pessoais, segundo sua assessoria.
A previsão de redução da carga horária está incorporada à PEC que propõe o fim da escala 6x1, mas o texto ainda tramita com impasses na Câmara. Era esperado que o deputado Leo Prates (Republicanos-BA), relator da comissão especial, apresentasse a primeira versão do parecer nesta quarta-feira; a entrega foi, porém, adiada para a semana seguinte. O atraso expõe a dificuldade de costurar um acordo rápido em torno de uma mudança que tem impacto direto sobre rotina de empresas e trabalhadores.
O principal ponto de divergência é a regra de transição: governo e aliados defendem adaptação mais imediata, enquanto parlamentares próximos ao mercado exigem prazos mais longos para que empregadores se ajustem. A diferença não é apenas técnica; traduz-se em tensão entre a agenda social do Executivo e a resistência de setores produtivos e da oposição. A negociação sobre prazos será decisiva para evitar desgaste político e riscos econômicos associados à implementação abrupta.
Do ponto de vista político, o episódio sinaliza que a proposta — embora comunicada como avanço para proteção das mulheres — precisará conviver com balanços práticos e pressões de mercado. Para o governo, há um caminho estreito entre capitalizar o discurso social e concessionar prazos que preservem estabilidade econômica. Para a Câmara, a tarefa é transformar a intenção em texto jurídico viável sem agravar conflito com empregadores nem comprometer o propósito declarado de ampliar a proteção às vítimas.