O líder do PSD na Câmara, Antônio Britto (BA), declarou nesta terça apoio pessoal à reeleição do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). A sinalização chega após o primeiro turno, em que o PL elegeu 121 deputados e passou a buscar a Presidência da Câmara, e integra a tentativa de Motta de costurar uma base capaz de mantê‑lo no comando da Casa em 2027. Britto, porém, foi cauteloso: disse que não tem mandato para comprometer toda a bancada e que a adesão terá de ser construída conversa a conversa.

Motta agradeceu o gesto e defendeu a manutenção de um bloco de partidos de centro como mecanismo para preservar a influência do chamado Centrão no Parlamento. O arranjo hoje reúne União Brasil, Progressistas, PSD, Republicanos, MDB, PSDB, Cidadania e Podemos — formações que, juntas, aspiram a ocupar postos estratégicos e a controlar a pauta antes da eleição da Mesa Diretora, prevista para o início de 2027.

Do ponto de vista prático, o apoio pessoal de Britto é útil politicamente, mas insuficiente para garantir a reeleição. A defesa pública do bloco busca transformar adesões isoladas em poder coletivo: o agrupamento decide pautas e distribui cargos, como demonstrado pela liderança de Domingos Neto (PSD‑CE) na Comissão Mista de Orçamento, citada por Motta como exemplo de vantagem tática. Ainda assim, a bancada do PSD não está formalmente comprometida, o que expõe a fragilidade do projeto caso não haja negociação com bancadas maiores — notadamente a do PL.

O quadro que se desenha é de intensa negociação: Motta precisa converter sinais pessoais em apoios formais, oferecendo espaços e promessas de poder real na Casa. Se não conseguir, a dispersão pode reduzir a capacidade do Centrão de definir agendas e ampliar a vantagem de candidaturas alternativas. A partida pela Presidência da Câmara começa a ser jogada agora, nas conversas e costuras entre líderes, com 2027 exigindo mais do que apoios públicos — exigindo votos fechados e acordos concretos.