O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) oficializou nesta sexta-feira (14/7) o aumento do percentual de etanol na gasolina para 32%. O presidente da Câmara, Motta, recebeu o resultado com otimismo e atribuiu o desfecho ao diálogo que manteve na semana passada com o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, e interlocução com o Ministério de Minas e Energia.
No plano político, a declaração de Motta tem duplo efeito: transforma uma decisão técnica em capital político e sinaliza coordenação entre Legislativo e membros do Executivo. Ao reivindicar papel de articulador, ele busca mostrar capacidade de influência diante de setores produtivos e eleitorais que acompanham a pauta do combustível.
Do ponto de vista econômico, a medida tende a beneficiar o setor sucroalcooleiro e pode reduzir o custo da gasolina na bomba se o etanol seguir mais competitivo que o petróleo. O impacto direto sobre preços ao consumidor, inflação e logística de distribuição, porém, depende de variáveis de mercado — como oferta de etanol, paridade com a gasolina e decisões das distribuidoras — que precisarão ser monitoradas.
A alteração no blend também levanta questões operacionais e regulatórias a serem acompanhadas: compatibilidade veicular, ajustes em bases tributárias estaduais e o cronograma de implementação. Politicamente, Motta sai fortalecido ao capitalizar o anúncio, mas a efetividade da medida será o critério definitivo para medir ganhos reais — e inaugura uma nova fase de acompanhamento por parte de governo, produtores e consumidores.