O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), convocou o colégio de líderes para a tarde de 16 para que o relator, deputado Léo Prates (Republicanos-BA), esclareça pontos do PL 1838/26, do governo federal, que acaba com a chamada escala 6x1. A proposta, enviada em abril em regime de urgência, fixa em 40 horas semanais a jornada e prevê dois repousos semanais remunerados, e por isso permanece trancando a pauta do plenário.
A iniciativa de Motta tem objetivo pragmático: destravar a pauta da Casa. Enquanto o PL estiver em regime de urgência, o plenário fica restringido a PECs, PDLs e requerimentos de urgência — um bloqueio que pressiona a liderança a encaminhar votações sensíveis e a reduzir o risco de impasse institucional. O relator já havia atuado na PEC que reduziu a jornada e definiu a escala 5x2, atualmente em análise no Senado, o que torna a articulação na Câmara ainda mais estratégica.
Além do PL sobre jornada, os líderes também vão discutir o PL 896/23, que equipara a misoginia ao crime de racismo, tornando-a inafiançável e imprescritível. A relatora do grupo de trabalho, deputada Tabata Amaral (PSB-SP), apresentou nova versão do texto — com ajustes na definição de misoginia — que já passou pelo Senado e agora precisa ser votada na Câmara. A combinação das duas pautas aumenta a carga política da reunião: trata-se de matérias com apelo social e impacto jurídico, sujeitas a pressões de diferentes bancadas.
O movimento mostra dois vetores de pressão política sobre a presidência da Câmara: o imperativo de liberar a pauta legislativa e a necessidade de acomodar temas sensíveis que têm potencial de desgaste ou de mobilizar bases eleitorais. Motta aposta em uma solução técnica — esclarecimento do parecer pelo relator — para evitar embates públicos e acelerar as votações, mas o desfecho dependerá da capacidade de costurar acordos entre partidos e setores interessados.