O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), marcou sessão no plenário para esta sexta-feira (17/4) com o objetivo de destravar a tramitação da proposta que altera a jornada de trabalho. Antes de submeter a matéria ao plenário, Motta terá reunião reservada com o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, para alinhar pontos centrais do texto e tentar reduzir divergências entre o Legislativo e o Executivo.

O embate nas estratégias é claro: a Câmara tem priorizado a proposta de emenda à Constituição que já corre na Casa, enquanto o governo sinalizou preferência por um projeto de lei encaminhado recentemente, considerado de tramitação mais simples. Motta defende que a PEC em andamento oferece um texto mais equilibrado, e o presidente da Casa busca assim minimizar ruídos e consolidar um caminho comum para votação.

No Congresso, a iniciativa encontrou reação da oposição, que vê na sinalização do Executivo risco de medidas com finalidade eleitoral em ano de pleito. Apesar das críticas, líderes indicam disposição para analisar as alternativas sem travar a pauta. Nos bastidores, a articulação de Motta elevou a abertura para negociação entre partidos, mas pontos sensíveis — como regras de transição e o formato final da jornada — só deverão ser fechados após o avanço das conversas com o governo.

A sessão responde também a etapas regimentais: a proposta aguarda superação do pedido de vista na Comissão de Constituição e Justiça para seguir ao plenário e, em caso de admissibilidade, a expectativa é instalar comissão especial para aprofundar o debate e definir relator e presidente. O movimento de Motta acelera o calendário e coloca pressão sobre o Executivo para escolher rota legislativa, com possível impacto político para a base em ano eleitoral.