O presidente da Câmara, Motta, defendeu a decisão do Conselho de Ética que aprovou o afastamento de três deputados por dois meses decorrente da ocupação da Mesa Diretora. Em declaração pública, Motta ressaltou que cabe ao colegiado apurar e julgar infrações disciplinares, reforçando a autonomia institucional do procedimento.

A medida do Conselho — preventiva e temporária — tem impacto direto na agenda parlamentar e na convivência interna da Casa. Suspensões desse tipo aumentam a pressão sobre lideranças e podem acelerar disputas por regras sobre protestos e invasões em plenário, além de alimentar narrativas de desgaste entre blocos políticos.

A decisão também abre debate sobre proporcionalidade e precedente institucional. Ao mesmo tempo em que reafirma instrumentos de disciplina interna, cria ambiente propício a questionamentos jurídicos e políticos sobre limites da punição e critérios adotados pelo colegiado. A Câmara precisará justificar com transparência a motivação e o rito das sanções.

Ao deslocar o caso para o Conselho de Ética, Motta evita intervenção direta da Presidência, mas transfere o ônus político para o próprio Parlamento. O episódio expõe a necessidade de regras mais claras para lidar com ocupações e atos de desordem, sob risco de ampliar custo político e fragilizar a confiança nas instituições.