O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), admitiu nesta terça-feira (19/5) que ainda existem dúvidas sobre o tempo de transição previsto no texto da PEC que propõe o fim da escala 6x1. Motta disse a jornalistas que busca construir um acordo com o governo e as bancadas antes de consolidar o relatório, que terá a primeira versão apresentada amanhã na comissão especial presidida pelo deputado Léo Prates.

A principal divergência é justamente a regra de transição: ministros e parlamentares alinhados ao Palácio defendem redução imediata para 40 horas semanais, enquanto representantes do empresariado e bancadas pró-mercado pedem um prazo maior para adaptação. O impasse expõe a dificuldade de conciliar proteção trabalhista com as demandas do setor produtivo sem comprometer empresas e empregos.

Motta afirmou que a intenção é avançar sem reduzir salários e garantindo dois dias de descanso, mas reconheceu que o diálogo precisa continuar para fechar o texto. A indefinição sobre o cronograma de aplicação da mudança acende alerta para o governo, que terá de articular votos e responder à pressão de setores econômicos e parlamentares nos próximos dias.

Com votação em Plenário prevista para 27 de maio, a agenda estreia como um teste de capacidade de negociação do Executivo e do presidente da Câmara. Se não houver convergência, a PEC corre o risco de atrasar ou sofrer alterações que diluam o objetivo inicial de reduzir a jornada de trabalho.