O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), usou as redes sociais para comemorar a aprovação da proposta que acaba com a escala 6x1 na manhã desta quinta-feira (28). O plenário deu aval em dois turnos: 472 votos favoráveis no primeiro e 461 no segundo — um placar bem acima dos 308 necessários para emenda constitucional — e o parlamentar destacou o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na articulação política.
A tramitação e o resultado consolidam um acordo costurado nos últimos dias diretamente entre o comando da Câmara e o Planalto. Nos bastidores, Motta assumiu a condução das negociações com líderes partidários, enquanto a base governista foi mobilizada para reduzir resistências no Centrão e em setores empresariais. Lula já havia antecipado o entendimento durante agenda em Manaus, o que reforça o caráter político da ofensiva.
No mérito, a PEC substitui a escala 6x1 pelo modelo 5x2, reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas sem corte salarial e prevê transição: 60 dias após promulgação passa para 42 horas com dois dias de folga; após 12 meses, o limite será 40 horas. A proposta nasceu do movimento trabalhista e sofreu mudanças em plenário — a versão aprovada é visto por líderes como alternativa intermediária ao texto original de menor jornada.
Com a aprovação na Câmara, o texto segue ao Senado, onde precisará passar pela CCJ e ser votado em dois turnos por ao menos 49 senadores. Politicamente, a vitória fortalece temporariamente a coordenação entre Motta e o Palácio, mas desloca o ponto de pressão para o Senado e mantém tensão com setores empresariais que pediram moderação. A pauta promete ainda exigência de costura política e debates sobre impacto prático para empresas e trabalhadores.