O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), confirmou nesta terça-feira (28/4) a escolha do deputado Alencar Santana (PT-SP) para presidir a comissão especial que analisará a proposta de redução da jornada de trabalho, conhecida como PEC 6x1. Para a relatoria, Motta indicou Léo Prates (Republicanos-BA), nome resultado de negociações entre a liderança do partido e a bancada do PT, segundo informou o líder petista Pedro Uczai.
Ao apresentar os nomes no Salão Verde, Motta disse que a designação veio após diálogo com lideranças e parlamentares e defendeu um processo amplo, que ouça trabalhadores, empresários e governo. A meta oficial é que a comissão trabalhe até o fim de maio para consolidar um texto capaz de ser votado em plenário, sem cortes salariais — compromisso reiterado pela presidência da Casa.
Léo Prates afirmou que a relatoria buscará um “novo arranjo do trabalho” que concilie proteção social e segurança econômica, sinalizando equilíbrio em meio a interesses divergentes. A comissão será instalada nesta quarta-feira (29/4), quando também serão definidos vices, titulares e suplentes e iniciada a coleta de subsídios das partes envolvidas.
Politicamente, o acordo que colocou um deputado do PT na presidência e um republicano na relatoria mostra a necessidade de costura para viabilizar o texto. A rapidez do calendário imposta pela Câmara acende alerta sobre a capacidade de conciliar demandas sociais e restrições econômicas: a pressão por resultado em poucas semanas pode complicar a negociação e aumentar o risco de impasses entre trabalhadores, setores produtivos e o governo.