O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), colocou na pauta do plenário o Projeto de Lei 1.838/26, encaminhado pelo Executivo, que limita a jornada de trabalho a 40 horas semanais e prevê o fim do regime 6x1. A medida, uma das principais bandeiras eleitorais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi incluída com regime de urgência e passa a ser o item único a ser apreciado — movimento que, segundo a liderança da Câmara, destrava a deliberação de outras matérias.
No centro do debate está a combinação entre motivação política e custo econômico. O projeto atinge setores tradicionais regulados pela CLT, como construção civil e comércio varejista, onde a prática do 6x1 ainda é comum. Entidades patronais já sinalizam oposição, citando potencial elevação do custo do trabalho, risco de perda de competitividade e pressão sobre margens. O Partido Novo, por sua vez, defende que qualquer alteração ocorra via negociação coletiva e não por imposição legal, e chegou a obstruir debates em votações anteriores em razão dos riscos apontados — inflação e informalidade foram argumentos repetidos por críticos.
Do ponto de vista eleitoral, a iniciativa reforça a narrativa do governo em priorizar medidas pró-trabalhador — um componente da chamada "economia do afeto" que o Planalto espera capitalizar até 2026. Ao mesmo tempo, a votação expõe uma tensão política: parte da oposição pode aderir por motivos eleitorais, enquanto a base empresarial pressiona por salvaguardas. A razão de ser da proposta ganhou, assim, dimensão estratégica: não é apenas reforma trabalhista, mas teste de capacidade do governo de transformar promessa de campanha em resultado legislativo sem provocar custo político excessivo.
A questão técnica que deve decidir o desfecho é a transição. A forma e o ritmo da implementação — se gradativa e em que prazos — serão determinantes para mitigar impactos e reduzir resistência. O relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), foi convocado a esclarecer pontos do parecer antes da votação; serão esses detalhes e eventuais emendas que definirão o alcance real da mudança. A expectativa é que a disputa se dê tanto na Câmara quanto nas articulações com empresários e centrais sindicais; o resultado será um indicador do poder de barganha do Planalto e do grau de pressão que a promessa eleitoral terá de suportar.