O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), voltou a cobrar nesta quinta-feira que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), coloque em votação o Regime Especial de Tributação para Data Centers (Redata). A proposta, enviada pelo Executivo e aprovada na Câmara mais cedo neste ano, aguarda análise no Senado e é tratada pelo governo como prioridade para estimular investimentos em processamento de dados e supercomputação.

Motta fez o apelo em discurso no Rio Grande do Norte, durante anúncio de investimentos na área, quando acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva — um gesto cuja presença, segundo interlocutores, tem peso político, sobretudo após a retomada do diálogo entre Lula e Alcolumbre na semana passada. A movimentação expõe a necessidade de o Executivo traduzir articulação em resultados concretos no Congresso.

Além do Redata, o governo espera que o Senado vote, antes das eleições de outubro, pautas como o fim da escala 6x1 e o Marco Legal de Minerais Críticos. Há ainda pressão sobre parlamentares para que apreciem a medida provisória que suspende a chamada 'taxa das blusinhas' — medida com prazo até 8 de setembro para ser votada pelo Congresso. O calendário curto intensifica a disputa por prioridade na pauta do Senado.

O pedido de Motta coloca Alcolumbre em posição delicada: decidir pela inclusão do Redata no plenário significa atender a uma lista crescente de demandas do Executivo em um momento em que o calendário legislativo e a proximidade eleitoral limitam tempo e margem de negociação. Se o Senado hesitar, o governo corre o risco de ver uma agenda considerada estratégica empacar quando a necessidade é justamente demonstrar capacidade de entrega.