O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou neste domingo que seguirá o regimento interno da Casa ao avaliar um eventual pedido de criação da CPI do Banco Master. A declaração ocorreu após a divulgação, na semana passada, de um áudio que coloca o senador Flávio Bolsonaro e o então dono do banco, Daniel Vorcaro, no centro das discussões — Vorcaro atualmente está preso por suspeitas relacionadas ao sistema financeiro.
Motta disse que a pauta receberá "tratamento regimental" e ressaltou que a análise será condicionada ao andamento das demais solicitações de CPI que estão na fila da Câmara. A ênfase no rito lembra que decisões sobre comissões muitas vezes se chocam com um cálculo político: acelerar uma investigação pode atender a pressão pública e da oposição, mas também compete com a agenda legislativa e com prioridades definidas pela Presidência da Casa.
A pressão pela investigação ganhou fôlego justamente por envolver nome ligado ao PL e por repercutir em meio ao processo eleitoral, o que amplia o custo político para aliados do presidente Jair Bolsonaro. Motta tenta, por ora, manter um discurso de neutralidade técnica, mas a escolha sobre a ordem de tramitação tende a ter efeito prático sobre quem perde ou ganha espaço na disputa política e institucional.
Além do tema da CPI, o presidente da Câmara destacou outra frente: a intenção de aprovar até o fim de maio a mudança na escala de trabalho 6x1, prioridade que, segundo ele, tem forte apelo popular. O episódio expõe o dilema da liderança parlamentar entre responder a demandas de investigação e preservar uma agenda legislativa capaz de entregar resultados visíveis à população — uma equação que pode influenciar costuras no Congresso e confiança pública nas próximas semanas.