O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União protocolou representação exigindo que o TCU investigue suspeitas de uso de incentivos fiscais e de recursos públicos, direta ou indiretamente, na produção do filme Dark Horse, associado ao ex‑presidente Jair Bolsonaro. O pedido, assinado pelo subprocurador‑geral Lucas Furtado, foi motivado pelo vazamento de conversas que mostram negociações financeiras entre o senador Flávio Bolsonaro e o ex‑banqueiro Daniel Vorcaro.
Na peça enviada à Corte de Contas, o subprocurador destaca que tratativas divulgadas pela imprensa evidenciam solicitações e articulações para custear a “superprodução cinematográfica”, o que afasta a hipótese de relações meramente privadas. Furtado solicita apuração da utilização de incentivos fiscais, benefícios tributários, patrocínios e eventuais repasses via emendas parlamentares, convênios ou instrumentos congêneres que possam ter sido vinculados ao projeto.
O documento aponta também conexões com o Banco Master, controlado por Vorcaro, lembrando aportes significativos e aplicações de recursos públicos — entre eles operações com o Banco de Brasília e valores de regimes próprios de previdência — que, segundo a representação, tornam necessária a verificação do eventual uso de empresas interpostas e mecanismos para ocultar origem ou destinação de recursos.
Furtado pediu ao TCU a realização de diligências junto a órgãos como Receita Federal, Ancine, Ministério da Cultura, Banco Central, CVM e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, além de rastrear fluxos entre pessoas físicas, jurídicas e fundos. A investigação, agora nas mãos do Tribunal de Contas, amplia a pressão institucional sobre o caso e tende a complicar a narrativa dos envolvidos enquanto durar a apuração.