O Ministério Público de São Paulo acionou a Justiça contra a deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL-SP), acusando-a de ato de transfobia em relação à deputada federal Erika Hilton (PSol-SP). A ação civil pública, protocolada nesta terça-feira, pede indenização de R$ 100 mil por danos morais coletivos e sociais, além de retratação pública e participação em curso sobre inclusão e combate à discriminação.
O caso tem origem em uma publicação no X na qual Campopiano questionou a identidade de gênero de Hilton. Para a Promotoria, a manifestação ultrapassa o campo da discordância política e contribui para a reprodução de preconceitos contra pessoas trans, criando um dano que atinge coletivamente a comunidade e o debate público.
O episódio ganha dimensão política porque envolve duas parlamentares eleitas: Hilton foi reeleita deputada federal por São Paulo e Campopiano chega à Assembleia Legislativa como a deputada estadual mais votada do estado. Aliados de Hilton e parlamentares contrários à fala celebraram a iniciativa do MP, que sinaliza que a imunidade parlamentar não pode ser usada como escudo para mensagens discriminatórias.
A Justiça ainda analisará os pedidos; até uma decisão não há condenação definitiva. Politicamente, o processo expõe risco reputacional para Campopiano e traz custo potencial ao PL, que terá de lidar com pressão por distanciamento ou resposta pública. O caso também aponta para um endurecimento da fiscalização institucional sobre discursos de ódio no ambiente legislativo.