O Ministério Público Federal afirmou em petição que o laudo apresentado pela defesa do ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça, não afasta a possibilidade de ele ter praticado assédio sexual. O documento médico foi juntado aos autos do processo administrativo em tramitação no STJ como parte da estratégia de defesa.

Segundo o MPF, o laudo que registra disfunção erétil moderada não traz elementos capazes de excluir a ocorrência das condutas narradas pelas vítimas. Uma testemunha médica ouvida no caso também descreveu problemas de mobilidade e risco de quedas atribuídos ao ministro, além de registrar o uso de três medicamentos que podem reduzir o libido. Para os procuradores, essas observações não implicam, por si só, na impossibilidade de assédio.

O inquérito administrativo reúne três acusações: uma jovem de 18 anos afirma ter sido assediada durante um banho de mar em Balneário Camboriú, em janeiro; outra denúncia partiu de uma funcionária terceirizada do gabinete, que relata toques não consentidos e comentários de teor sexual. Fontes ouvidas confirmaram ao Correio a existência do laudo e dizem que ele integra a tentativa da defesa de rebater as alegações.

A decisão do MPF de manter a investigação mesmo diante do laudo tende a acender alerta sobre o tratamento dado a casos envolvendo magistrados. Além do impacto pessoal para o acusado, o episódio amplia o desgaste institucional e cobra do STJ uma apuração transparente e célere, sob risco de agravar a percepção pública sobre a credibilidade da Corte.