O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou mandados de busca e apreensão contra 11 alvos ligados ao senador Weverton Rocha na nova fase da Operação Sem Desconto, mesmo com parecer do Ministério Público Federal recomendando que as medidas físicas fossem indeferidas. Para o MPF, medidas menos invasivas — como quebras de sigilos bancário e fiscal — seriam suficientes para aprofundar a apuração atrelada a suposta estrutura de lavagem.
Na decisão, Mendonça destacou o risco de perda de provas digitais e a gravidade das condutas relatadas pela Polícia Federal, que sustentou existência de um “hub” financeiro, patrimonial e logístico liderado pelo advogado Willer Tomaz em benefício do parlamentar. Entre os fatos apontados pela investigação estão repasses de R$ 11 milhões a Samya Rocha, mulher do senador, a intermediação na compra de imóvel em nome de empresa de Tomaz e triangulações financeiras milionárias.
A operação atinge familiares, escritórios de advocacia e empresas e se apoia em dados extraídos do celular do próprio senador. A PF também relaciona apreensões anteriores — como R$ 1 milhão em espécie — e transferências suspeitas entre empresas que, segundo a investigação, serviriam para ocultar origem de recursos supostamente ligados a corrupção no INSS.
O contraste entre o argumento do MPF — priorizando etapas menos ostensivas — e a opção do ministro do STF por uma ação imediata expõe tensão sobre proporcionalidade e estratégia investigatória. Politicamente, a operação amplia os riscos reputacionais para Weverton e eleva o debate sobre limites entre garantia da prova e direitos individuais, em um caso que pode ter reverberação no Congresso e no circuito judicial.