Brasília, DF – Líderes do Centrão na Câmara dos Deputados retomaram a agenda para substituir o sistema proporcional pelo voto distrital misto. A proposta é aprovar uma PEC ainda este ano, com transição em 2030 e entrada em vigor do novo formato em 2034.

No modelo híbrido, o estado seria dividido em distritos: metade das cadeiras iria para os candidatos mais votados em cada distrito e a outra metade seria preenchida por listas partidárias. Hoje, deputados federais, estaduais e distritais são eleitos pelo sistema proporcional, que distribui vagas conforme o total de votos do partido ou da federação.

Cada região passa a ter um parlamentar reconhecível, e a cobrança tende a ficar mais fácil

Especialistas consultados dizem que o distrital misto tende a aproximar eleitor e deputado, criando vínculos territoriais mais claros. "Cada região passa a ter um parlamentar reconhecível, e a cobrança tende a ficar mais fácil", afirmou a professora Marcela Machado, do Instituto de Ciência Política da UnB. O cientista político Murilo Medeiros acrescenta: "O grande mérito desse modelo híbrido de voto é transformar uma representação política distante em uma representação mais próxima, mais identificável e mais sujeita à cobrança do eleitor".

Pesquisa Datafolha de junho aponta que 67% dos entrevistados não lembram em quem votaram para deputado federal em 2022, dado que especialistas usam para justificar a proposta. Para eles, o novo sistema também reduz o papel dos chamados "puxadores de voto" — candidatos que, com votação alta, garantem cadeira a outros nomes do mesmo partido. Na eleição de 2026, parlamentares como Nikolas Ferreira (PL-MG), Lucas Pavanato (PL-SP) e Erika Hilton (PSOL-SP) ajudaram a eleger outros 23 candidatos.

Parlamentares afirmam que campanhas ficariam mais locais e mais baratas, com maior competitividade em nível distrital. Mas o mesmo arranjo pode fortalecer as diretorias partidárias e as máquinas locais, concentrando poder na cúpula e reduzindo diversidade de candidaturas, um risco destacado por analistas.

O grande mérito desse modelo híbrido de voto é transformar uma representação política distante em uma representação mais próxima, mais identificável e mais sujeita à cobrança do eleitor