A mais recente pesquisa Quaest, divulgada nesta segunda-feira, revela um recorte por gênero que deve alterar composições e prioridades da campanha para 2026: entre as mulheres, 47% dizem temer mais o retorno da família Bolsonaro ao poder, enquanto 37% apontam como maior risco a continuidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No bloco masculino o mapa se inverte: 50% veem com mais receio um novo mandato de Lula e 39% temem o retorno dos Bolsonaro. O levantamento, com 2.004 entrevistas realizadas entre 24 e 27 de setembro e margem de erro de dois pontos, oferece um retrato momentâneo — não uma previsão definitiva —, mas com implicações políticas claras.

Os números não se limitam ao medo: traduzem-se em intenção de voto. Entre eleitoras, Lula aparece com 46% contra 37% de Flávio Bolsonaro; entre eleitores, Flávio soma 48% e Lula 38%. A Quaest também destaca que a recuperação de Lula na reta final do primeiro turno foi mais nítida em três grupos: mulheres, eleitores de baixa renda e beneficiários do Bolsa Família. Esse deslocamento indica que questões sociais e econômicas continuam moldando preferências e que o eleitorado feminino pode ser o eixo decisivo para definir cenários de segundo turno.

Além do mapa de intenções, a pesquisa mediu respostas a medidas recentes do governo: a limitação às apostas online tem 62% de aprovação no conjunto do eleitorado (64% entre mulheres), o reajuste do Bolsa Família alcança 59% de apoio geral (62% entre eleitoras) e a distribuição de medicamentos para emagrecimento pelo SUS tem 58% de adesão (também 62% entre mulheres). A convergência entre maior receio em relação à família Bolsonaro e maior aprovação a medidas sociais entre mulheres sugere que políticas públicas de impacto direto no cotidiano pesam mais para esse segmento do que a narrativa anti-Lula conduzida pela oposição.

Politicamente, os dados acendem um sinal de atenção para a campanha de Flávio Bolsonaro: o núcleo feminino é um ponto de vulnerabilidade que, se não for enfrentado com respostas concretas, pode ampliar a desvantagem do candidato no eleitorado urbano e feminino. Para o governo e a campanha de Lula, a leitura é dupla: a agenda social parece surtir efeito imediato, mas a vantagem ainda é sensível à oscilação da opinião pública — lembrando sempre a margem de erro. Em suma, a pesquisa Quaest entrega um retrato com consequências práticas: reorientação de mensagens, prioridade a programas sociais e uma disputa cada vez mais marcada pela forma como cada lado comunica riscos e soluções ao eleitorado feminino.