O presidente Luiz Inácio Lula da Silva nomeou nesta quarta-feira Myriam Pereira como diretora de Jornalismo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). A jornalista ficará responsável pela linha editorial e pela cobertura produzida pelos principais veículos da estatal — TV Brasil, Agência Brasil e Rádio Nacional — em substituição a Cidinha Matos, que deixou o cargo em fevereiro. Durante a gestão anterior, a Diretoria de Jornalismo acumulou 57 prêmios pelo trabalho editorial, referência de qualidade e critério profissional na casa.
Com mais de 25 anos de trajetória, Myriam passou por veículos tradicionais como TV Globo e Rádio CBN e desempenhou funções em assessorias de comunicação de ministérios (Saúde, Educação, Cultura e Turismo), do Senado e da Presidência. A diretora-presidente da EBC destacou a importância da nomeação para a equidade de gênero na diretoria e celebrou a experiência técnica trazida pela nova ocupante — argumentos que alinham competência e representatividade.
A escolha, porém, não é neutra politicamente. A passagem por assessorias governamentais realça um desafio central para o jornalismo público: manter distância editorial das instâncias do poder que influenciaram a trajetória profissional do dirigente. Sem sugerir irregularidade, trata-se de um requisito de credibilidade — sobretudo num ambiente polarizado em que a independência da EBC é frequentemente questionada por oposição e observadores independentes.
Para o governo, a nomeação tende a conferir continuidade administrativa e interlocução mais direta com estruturas públicas; para a EBC, representa um teste: será avaliada pela capacidade de sustentar a qualidade premiada e, simultaneamente, garantir mecanismos claros de autonomia editorial. Nos próximos meses, a direção precisará demonstrar controles transparentes e decisões jornalísticas que preservem a função pública do serviço de comunicação.