O primeiro‑ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, enviou uma mensagem em vídeo exibida neste sábado durante a convenção nacional do Partido Liberal (PL) em São Paulo, onde o senador Flávio Bolsonaro teve a candidatura à Presidência oficializada. A fala do premiê foi apresentada como uma das três surpresas preparadas para o evento e dirigiu‑se diretamente ao parlamentar com palavras de congratulação pela formalização da postulação.
A convenção também exibiu uma gravação que foi apresentada como uma simulação de voz e imagem de Jair Bolsonaro produzida por inteligência artificial. Na peça, o ex‑presidente — segundo a introdução da própria gravação — aparece reproduzindo um discurso no qual se diz silenciado e injustiçado e endossa Flávio como seu nome para a sucessão. A cena foi recebida com emoção por aliados do senador, que acompanharam as projeções durante a cerimônia.
Outra mensagem transmitida veio do deputado Nikolas Ferreira, que ressaltou a importância eleitoral de Minas Gerais e afirmou que o estado seria decisivo na disputa nacional. Em seu pronunciamento gravado, ele vinculou a eventual vitória de Flávio à retomada da agenda de direita e à reivindicação de “justiça” para presos relacionados aos atos de 8 de janeiro, alinhando narrativa eleitoral e pautas de litígio político.
Além do gesto simbólico de Netanyahu, a sequência de vídeos acende questões políticas e institucionais: por um lado, reforça a visibilidade internacional e o reforço de redes políticas entre lideranças do bolsonarismo e atores externos; por outro, a utilização de uma peça gerada por IA para simular falas de um ex‑presidente preso impõe dilemas éticos e legais sobre desinformação, legitimidade e limites do repertório de campanha. O episódio aponta para uma estratégia de mobilização que explora símbolos e narrativas de vítima, ao mesmo tempo em que desloca o debate para temas de regulação tecnológica e impacto eleitoral em estados‑chave como Minas Gerais.