A decisão do Progressistas (PP) de permanecer neutro na disputa presidencial representou, neste momento, um freio à estratégia do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) de ampliar sua aliança com o Centrão. Embora a senadora Tereza Cristina (PP-MS) tenha manifestado concordância com o convite para ser vice — e o próprio Flávio tenha dito ter ficado "muito honrado" com a resposta — a posição adotada pela maioria dos diretórios estaduais do PP impede a formalização do nome pelo partido.

O recuo do PP, anunciado sem convocação de convenção nacional, foi lido nos bastidores como um revés para o plano do PL de consolidar apoios e dar mais robustez à chapa. Flávio procurou relativizar o impacto, agradeceu ao partido e reforçou que as negociações continuam em curso: "Até o dia 5 tudo pode acontecer." A declaração deixa claro que a campanha do PL não considera o caso encerrado, mas expõe fragilidades na costura política em um prazo curto até a convenção marcada para o dia 5.

Até o dia 5 tudo pode acontecer.

Politicamente, a neutralidade do PP complica a narrativa governista de construção de uma base mais ampla no Congresso e reduz o poder de barganha do PL diante de outras legendas do Centrão. Sem a oficialização de Tereza Cristina pela sigla, cresce a pressão sobre a equipe do pré-candidato para buscar alternativas, acelerar acordos estaduais ou reconfigurar a estratégia comunicacional da campanha. Ao mesmo tempo, a postura do PP sinaliza autonomia das bancadas estaduais e limita o controle central das negociações partidárias.

O episódio ilustra um dilema recorrente na formação de chapas: vantagens táticas de atrair nomes com trânsito político versus o custo de depender de decisões coletivas de siglas que podem privilegiar neutralidade. Resta aos palanques oficiais transformar incerteza em vantagem até a definição formal — ou admitir que a falta de um acordo com o PP reduziu, por ora, o alcance do projeto de aliança do PL.