A pesquisa BTG Pactual/Nexus divulgada nesta segunda-feira confirma um quadro de forte rejeição a nomes tradicionais e destaca contradições do tabuleiro eleitoral. O ex-governador e deputado Aécio Neves registra 61% de entrevistados que disseram não votar nele “de jeito nenhum”, o maior índice entre os nomes testados, mesmo após o anúncio de sua desistência da corrida presidencial na semana passada.
Na sequência, aparecem o senador Flávio Bolsonaro, com 50% de rejeição, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com 46%. O levantamento também traz indicadores sobre intenção fixa e potencial de voto: Lula lidera em voto certo (36%), seguido por Flávio (27%). Esses números revelam um eleitorado polarizado — com uma base consolidada para alguns e rejeição elevada que limita crescimento por via de transferência de votos.
Outros candidatos testados mostram rejeições e potenciais variados: Cabo Daciolo (44% rejeição), Romeu Zema (36%), Joaquim Barbosa, Ronaldo Caiado e Renan Santos (33% cada) e Augusto Cury (30%). Em potencial adicional — eleitores que podem escolher o nome, mas admitem votar em outro — destacam‑se Zema (29%) e Caiado (30%). A pesquisa foi feita entre 10 e 12 de julho, com 2.003 eleitores e margem de erro de dois pontos percentuais.
Do ponto de vista político, os dados ficam como retrato de um momento de dificuldade para candidaturas que acumulam rejeição alta: além de limitar o crescimento nas urnas, esse indicador complica alianças e estratégias de campanha. Para o governo, a presença de 46% que declaram rejeição a Lula sinaliza um teto e a necessidade de ampliar o recorte de apoio. Para a oposição, a distribuição de rejeições e potenciais expõe um campo fragmentado, que exigirá articulação e mensagem unificadora para disputar competitividade em 2026.