Levantamento do instituto Nexus, divulgado em parceria com o BTG Pactual em 21 de setembro, coloca Luiz Inácio Lula da Silva com 46% das intenções e Flávio Bolsonaro com 45% em um dos recortes publicados. O mesmo conjunto de dados traz ainda simulações diferentes: em outro recorte o 1º turno aparece com Lula a 40% e Flávio a 34%, enquanto uma simulação de 2º turno registra 49% a 43% para Lula. O ponto central, porém, é o primeiro resultado: a diferença de apenas um ponto entre os dois nomes.
Tecnicamente, fala-se em empate técnico quando a diferença entre candidatos é menor que a margem de erro — no caso divulgado, dois pontos percentuais. A margem de erro não é um defeito do estudo, mas um intervalo de confiança que reflete a variação provável do resultado quando a pesquisa se baseia em uma amostra (neste levantamento, 2.006 entrevistas) e não na totalidade do eleitorado. Com nível de confiança usualmente adotado em 95%, um índice de 46% com margem de ±2 pontos corresponderia, por exemplo, a um intervalo real possível entre 44% e 48%.
Do ponto de vista político, a constatação tem efeitos concretos. Pesquisa acende alerta tanto para o governo quanto para a oposição: para o Palácio, um quadro tão parelho impede consolidar narrativa de vantagem; para a campanha de Flávio Bolsonaro, a proximidade reforça a possibilidade de disputa acirrada e pressiona por maior mobilização. Mais importante que um único levantamento é observar tendência: oscilações entre pesquisas sucessivas dizem mais sobre desgaste ou recuperação do que retratos isolados.
A leitura responsável desses números exige cautela: o empate técnico é um retrato do momento, não uma previsão definitiva. Campanhas deverão ajustar mensagens, foco em mobilização e direção de recursos conforme séries de levantamentos, e a imprensa precisa explicar a metodologia ao público para evitar interpretações precipitadas. Uma ferramenta de IA auxiliou na produção desta peça, com supervisão editorial humana.