A mais recente rodada da pesquisa Nexus/BTG Pactual, realizada entre 10 e 12 de julho, confirma a polarização da corrida presidencial, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na frente, mas com vantagem reduzida. No cenário estimulado Lula aparece com 40% das intenções de voto, ante 34% de Flávio Bolsonaro (PL), recuo de dois pontos para o petista em relação à rodada anterior e manutenção do candidato do PL dentro da margem de erro. A diferença entre os dois no 1º turno encolheu de oito para seis pontos percentuais, uma redução pequena, porém relevante para a dinâmica da campanha.

No levantamento espontâneo ambos também perderam espaço: Lula recuou de 38% para 35% e Flávio caiu de 27% para 24%, movimento que, segundo os coordenadores da pesquisa, teria migrado majoritariamente para nulo ou indecisão. No somatório da chamada terceira via houve leve melhora — de 16% para 18% — com destaque para Ronaldo Caiado (PSD) a 5%, Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) com 4% cada, e outros nomes pontuando em patamares inferiores. Esses números mostram que, apesar da polarização, existe um pequeno espaço de movimentação no eleitorado que ainda pode ser disputado.

No 2º turno os percentuais permaneceram estáveis em relação à rodada anterior: Lula tem 47% e Flávio 44%, configurando empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. A principal novidade do levantamento foi a queda da rejeição a Lula, de 49% para 46% — o menor índice registrado desde março — enquanto a rejeição de Flávio oscilou de 51% para 50%. A diferença de rejeição entre os dois volta a ser de quatro pontos, com variações regionais e por perfil demográfico: Lula menos rejeitado entre mulheres, eleitores de baixa renda, baixa escolaridade e no Nordeste; Flávio registra menor rejeição entre homens, evangélicos e em parte do Centro-Oeste, Norte e Sul.

Do ponto de vista político, a leitura dos números impõe desafios distintos às campanhas. Para o governo, a redução da rejeição é um alívio, mas ainda sem reflexo claro em intenções de voto nesta rodada, o que indica necessidade de tradução do ajuste de imagem em propostas e performance eleitoral concreta. Para a candidatura de Flávio, a manutenção das intenções e o nível de rejeição elevado mantêm o risco de limitar crescimento além do núcleo duro. A pesquisa ouviu 2.003 eleitores por telefone, com nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais; está registrada no TSE sob o número BR-07981/2026. Os números representam um retrato do momento, com leve oscilação que pode ganhar importância conforme se aproximem os horários de campanha e os debates.