A avaliação do CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, reforça um diagnóstico que começa a se consolidar entre analistas: a corrida presidencial de 2026 está fortemente polarizada, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o campo bolsonarista — hoje representado por Flávio Bolsonaro — concentrando a maior parte das intenções de voto. Para Tokarski, esse duopólio eleitoral lembra a dinâmica de 2022 e tende a persistir até a reta final, mantendo a disputa em aberto, mas com poucas margens para surpresas estruturais.

O levantamento apontado pelo pesquisador mostra que essa concentração reduz significativamente o espaço para uma terceira via. Mesmo diante de um desgaste óbvio entre parcelas do eleitorado, nomes alternativos não conseguem obter densidade suficiente nas pesquisas para romper o embate central. Na prática, campanhas fora dos dois polos enfrentam dupla dificuldade: mobilizar indecisos e superar a atratividade do voto por rejeição, que tem se tornado um critério decisivo para muitos eleitores.

Um elemento que ganha destaque nas observações da Nexus é o elevado índice de rejeição entre os principais candidatos. Esse fenômeno altera a lógica do voto: além de escolhas afirmativas, cresce o voto contra — eleitores decidem mais por rejeitar o adversário do que por identificar-se com o titular. Para o ambiente político, isso significa maior volatilidade e menor previsibilidade, com episódios pontuais — escândalos ou anúncios econômicos — capazes de redesenhar a disputa em curtos prazos, dependendo dos desdobramentos.

Tokarski também destaca o descompasso entre indicadores macroeconômicos e a percepção da população, sobretudo entre os mais pobres. Em outras palavras, a 'economia dos números' não converge automaticamente para a 'economia da vida real'. Temas como emprego, inflação percebida, segurança pública e corrupção devem ocupar espaço central na campanha, e a forma como cada campo traduz esses temas em narrativa pode ser determinante para ampliar ou reduzir a margem entre os polos.

Do ponto de vista estratégico, o retrato da Nexus acende alerta para governistas e oposição: com o eleitorado concentrado e parte significativa ainda pouco engajada, o jogo será de conquista de eleitores intermediários. Para o governo, isso significa necessidade de demonstrar concretude nas políticas que impactam a vida cotidiana; para a oposição bolsonarista, a prioridade é consolidar unidade e força eleitoral sem depender exclusivamente do desgaste do adversário. Afinal, se a eleição será decidida por quem não se identifica plenamente com nenhum dos dois campos, campanhas eficientes e capacidade de narrar mudanças reais serão o diferencial.