O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) publicou vídeo nas redes sociais em que rotula a candidata ao Senado Marília Campos (PT) de “Dilma 2.0” e diz ver risco de queda de popularidade semelhante à ex-presidente. No mesmo material, o parlamentar direcionou críticas a Aécio Neves (PSDB) e fez um apelo explícito para que eleitores mineiros escolham as apostas do PL e do Novo — Domingos Sávio e Marco Antônio, conhecido como “Superman” — para as duas vagas no Senado.
Nikolas fundamentou o ataque à petista em posições públicas dela, destacando resistência à anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, posicionamento contrário à redução da maioridade penal, oposição ao porte de arma e apoio à regulamentação das redes sociais para combater fake news. Sobre Aécio, o deputado lembrou decisões e episódios passados envolvendo ministros do Supremo para associar o ex-governador a uma interlocução com o Judiciário.
Mais político do que programático, o discurso conecta a disputa no Senado a uma agenda judicial e de segurança: Nikolas defendeu a eleição de senadores que votem a favor de afastar ministros do STF, endurecer pena e priorizar defesa da família e da ordem. Trata-se de uma tentativa clara de transformar o pleito estadual em instrumento para ampliar pressão sobre tribunais e pautas penais, realinhando votos conservadores atrás de candidatos com esse perfil.
Os números recentes da pesquisa Real Time Big Data, divulgada na segunda (28/9), mostram Marília à frente com 19% das intenções; Domingos Sávio e Carlos Viana aparecem com 16% cada; Aécio registra 12%; Marcelo Aro 11%; Áurea Carolina 8%; Marco Antônio tem 4%. O quadro aponta disputa fragmentada, e o ataque de Nikolas busca tanto reduzir a vantagem da petista quanto limitar a recuperação de Aécio entre eleitores de centro-direita.
Politicamente, a investida acende alerta para a sequência da campanha: ao transformar rivais em símbolos de ameaças ao voto conservador e à pauta judicial, Nikolas procura consolidar uma frente que favoreça PL e Novo em Minas. Resta ver se esse discurso consegue deslocar eleitores já mapeados nas pesquisas ou apenas aprofundará a polarização sem alterar substancialmente as intenções de voto.