Áudios revelados nesta quinta-feira (3/9) mostram que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) enviou uma mensagem de desculpas a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, após criticar publicamente um evento do banco em Londres. A troca de mensagens foi publicada pela jornalista Juliana Dal Piva, do portal ICL Notícias, e inclui afirmações de Vorcaro a terceiros de que teria custeado voos usados pelo parlamentar — além de uma ameaça de tornar essa informação pública.

O material também registra contatos em que Nikolas pede a Vorcaro ajuda em favor de seu ex-assessor Thiago Rodrigues de Faria, incluindo pedido para avaliar a liberação de um ativo relacionado à mineração. Em outra ocasião, já em abril de 2024, Vorcaro diz a um interlocutor: “Esse Nikolas eu banquei todos os voos dele” e, em seguida, indica que poderia “mandar soltar isso”. As conversas não detalham quantas viagens foram custeadas nem os períodos exatos.

O episódio se soma à reportagem de março de 2026 que apontou o uso, por parte do deputado, de uma aeronave vinculada a Vorcaro durante campanha de 2022. Na mensagem de retratação, Nikolas afirma que não sabia que o avião pertencia ao banqueiro e diz que não teria feito a publicação sobre o evento caso soubesse da ligação. Ainda assim, a coincidência entre pedidos de ajuda, uso de aeronave e a confissão de ter tido viagens custeadas amplia o desconforto político e acende alerta sobre a transparência das relações entre parlamentares e financiadores privados.

As novas revelações chegam enquanto investigações sobre a rede de contatos de Vorcaro avançam, incluindo conversas com autoridades públicas e um encontro reservado com o ministro André Mendonça, do STF. Para além do impacto reputacional imediato sobre Nikolas, o caso complica a narrativa oficial de distanciamento entre políticos e empresários e pode ampliar o desgaste sobre quem mantinha relações diretas com o ex-dono do banco. Resta agora a necessidade de esclarecimentos públicos sobre a extensão das ajudas e se houve qualquer reforço de influência indevida em decisões ou favores.