Em 13 de setembro, o deputado federal Nikolas Ferreira trouxe para Macapá uma mobilização dirigida ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Vestidos de verde e amarelo, os apoiadores reunidos no ato transformaram a cobrança sobre a condução dos pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes em uma pressão direta ao eleitorado local do senador.
A iniciativa foi anunciada por Nikolas durante as manifestações de 7 de Setembro em São Paulo e visa converter a insatisfação das ruas em instrumento político contra Alcolumbre. Nos últimos dias senadores da oposição intensificaram o apelo para que o presidente da Casa coloque em pauta as denúncias que envolvem o ministro do STF, especialmente depois da crise ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e às investigações sobre o Banco Master.
No Senado, a movimentação ganhou corpo com parlamentares como Carlos Viana apresentando requerimentos para esclarecer episódios relacionados ao caso. Alcolumbre, porém, tem adotado postura de cautela e não sinalizou intenção de levar os pedidos a votação. Em discurso, o presidente da Casa questionou a focalização das críticas em Moraes e voltou-se ainda para outras alegações públicas, como a menção a um pedido de R$ 130 milhões para produção de um filme sobre Jair Bolsonaro.
A estratégia de promover o protesto na base eleitoral do senador busca aumentar o custo político da decisão de Alcolumbre e acende alerta sobre a capacidade da oposição de transformar pressão de rua em cobrança institucional. Ainda que aumente o desgaste do presidente do Senado, a efetividade da tática depende agora do cálculo político interno no Senado e da disposição dos pares em provocar um choque institucional em ano pré-eleitoral.