O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) lançou, na manhã da sabatina de Jorge Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), uma campanha intensa nas redes sociais para que senadores anunciem posicionamentos públicos e rejeitem a indicação. Em vídeos e postagens, o parlamentar questionou a imparcialidade do indicado e definiu a nomeação como ato de proximidade política do presidente.

Nikolas divulgou listas com titulares da CCJ organizadas por blocos e estimulou seus seguidores a monitorar e cobrar declarações. Além de críticas à atuação de Messias na Advocacia‑Geral da União, o deputado citou temas como transparência, liberdade de expressão e decisões controvertidas que, segundo ele, justificariam a rejeição.

A mobilização busca transformar a sabatina num plebiscito de imagem: ao sinalizar que pretende expor quem apoiar o indicado, Nikolas amplia a pressão sobre parlamentares, mesmo diante do caráter secreto da votação. A estratégia tenta forçar senadores a declarar voto ou enfrentar retaliação pública por parte da base conservadora.

Do ponto de vista institucional, a iniciativa acende alerta sobre a politização do rito de nomeação ao STF. A Constituição reserva ao Senado a avaliação de requisitos como notório saber jurídico e reputação ilibada; para avançar, Messias precisa da maioria simples na CCJ e, posteriormente, de ao menos 41 votos no plenário, em votação também secreta.

Politicamente, a manobra amplia desgaste para aliados do governo e complica a narrativa de independência entre Executivo e Judiciário que o Palácio tenta preservar. Para a oposição, é tática de pressão; para o governo, mais um desafio de articulação no Senado e de gestão do custo político da indicação.