O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) reagiu com críticas à decisão do Conselho de Ética da Câmara que aplicou suspensão de 60 dias aos deputados Marcos Pollon (PL-MS), Marcel van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC). A comissão decidiu pela punição após a ocupação da Mesa Diretora em agosto de 2025, episódio que paralisou o funcionamento do plenário por cerca de 30 horas. Nikolas anunciou que vai tentar reverter a decisão na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).

A ocupação, coordenada por parlamentares de oposição ao julgamento sobre a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, envolveu revezamento nas mesas do plenário e bloqueio de sessões, com controle de acesso realizado pela Polícia Legislativa. O objetivo declarado dos manifestantes era pressionar pela inclusão de pautas como anistia a participantes dos atos de 8 de janeiro e o impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes.

As sugestões de suspensão foram votadas individualmente: Pollon e Van Hattem sofreram punição por 13 votos a 4, e Zé Trovão por 15 a 4. Os três já anunciaram recurso — que precisa ser apresentado em até cinco dias úteis à CCJ — e podem levar a discussão ao plenário, onde os 513 deputados decidiriam o destino final das penas. Para Nikolas, a sanção representa uma censura aos eleitores representados pelos parlamentares afetados, um argumento que prevê mobilização política da base.

Do ponto de vista institucional, a punição sinaliza uma reação do Parlamento a infrações de ordem regimentais e ao uso de atos de obstrução como instrumento de pressão política; ao mesmo tempo, tem potencial para ampliar a polarização e gerar repercussões eleitorais. A disputa sobre a revisão nas instâncias seguintes promete elevar o custo político do episódio, forçar alianças e testar até que ponto a bancada mobilizada conseguirá transformar a contestação em vitória na CCJ ou no plenário.