O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça determinou a liberação de documentos cujo sigilo vinha sendo preservado. Entre eles está uma anotação encontrada no celular do empresário Daniel Vorcaro, registrada em 30 de outubro de 2025. A Polícia Federal, ao analisar o dispositivo, aponta que Vorcaro escreveu o texto pouco antes de viajar a Abu Dhabi e descreve nele pressões sobre o Banco Central.

Na nota, o empresário relata que recebeu "informações informais e em confidencia" de integrantes do Banco Central de que "G" — avaliado pela PF como provável referência ao presidente da autarquia, Gabriel Galípolo — e os diretores estariam sob "pressão máxima" para adotar alguma medida contra ele. Vorcaro atribui essa pressão à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal e pede que o interlocutor converse com "Andrei" e "Paulo" para conter eventuais iniciativas: a PF identifica "Andrei" como provável referência a Andrei Rodrigues, então diretor‑geral da PF, e "Paulo" como provável referência a Paulo Gonet, procurador‑geral da República. No registro, o autor pede que as cúpulas evitem que "ninguém de baixo faça uma sacanagem".

O conteúdo divulgado não prova a ocorrência de irregularidade formal, mas levanta questões relevantes sobre a relação entre atores privados e chefiias de órgãos de persecução e de regulação. A sugestão de que se busque interlocução direta com dirigentes da PF e do MPF para impedir medidas contra um empresário pode ser interpretada como tentativa de influência sobre procedimentos em curso, o que afeta a percepção pública sobre autonomia institucional.

A publicação dos documentos pelo STF amplia a necessidade de esclarecimentos: cabe aos citados e às instituições envolvidas explicar o contexto das referências e se houve contato indevido. Politicamente, o episódio tem potencial de desgaste — tanto para a imagem do empresário quanto para a confiança nas instituições — e coloca em evidência o custo político de eventuais práticas que possam ser percebidas como pressionadoras. A sociedade e o mercado aguardam respostas objetivas sobre as circunstâncias descritas na anotação.